As turmas 9 e 10 do 9ºano da escola Horácio bento de Gouveia realizaram no dia 31-3-2022 uma visita ao porto do funchal no âmbito do projeto de Autonomia e Flexibilidade curricular (PAFC) e da Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. Mobilizar informação em conhecimento de forma a criar cidadãos ativos e intervenientes no meio que os rodeia, são os princípios que norteiam todas as atividades realizadas no âmbito destes projetos.
A visita ao porto do Funchal tinha como objetivos mais específicos o entendimento do porto do Funchal, bem como dos dois portos do Caniçal e Porto Santo, como uma das principais portas de saída do arquipélago; a perceção do turismo de cruzeiros como um dos focos principais de atração da cidade e importante fonte de receita e a tomada de contacto com as áreas operacionais, como a torre de coordenação e pilotagem.
Simpaticamente recebidos por Ana Gouveia e Patrícia Bairrada, começámos pela sala embarque com os balcões de check-in. Já na sala de desembarque, onde nos “chocámos” com os últimos passageiros do MSC atracado poucas horas antes, ficámos a saber que o maior navio que passou por este porto foi o Anthem of The seas com 5000 passageiros. Em média cada navio traz entre 2000 e 3000 passageiros, embora menos agora devido às contingências da pandemia. A imagem de um navio como uma cidade que exigia tudo em grande impressionou. A atracagem de um navio exige a mobilização de toda uma série de serviços, desde táxis até à Polícia Judiciária quando se trata de um navio originário de fora da Europa cuja primeiro porto seja o Funchal. Depois o abastecimento: água fresca e alimentos frescos, vinho etc. O porto do Funchal oferece água fresca atá 100 toneladas…. A água é de facto primordial: só o Aida Nova exige 2000 toneladas!
Passados aos serviços de coordenação e pilotagem ouvimos o coordenador de serviço, Francisco Viveiros, explicar que a função deste departamento é a de, a partir de uma plataforma, receber reservas das agências de navegação, decidir serviços exigidos, verificar a disponibilidade do porto e destacar os pilotos para os navios.
O piloto de Barra, comandante Joaquim Abreu, começou por explicar o seu percurso académico e profissional, comum a muitos pilotos de barra: formação superior, comandante de navio e depois piloto de barra. A função de um piloto e assessorar o capitão do navio na atracagem e largada. “O capitão conhece o seu navio, o piloto o seu porto”. Consultado o radar com as informações de oceanografia e meteorologia, o piloto desloca-se numa lancha até ao navio quando ele está a 2,5/3Km do porto. Aí chegado, é lançada uma escada que o piloto sobe deslocando-se depois para a ponte. Começa aí a tarefa conjunta com o capitão para que as manobras decorram em segurança. Aparte este aspecto operacional o piloto Joaquim Abreu deu a conhecer algumas curiosidades. O facto de os navios navegarem com “bandeiras de conveniência” como forma de fugir aos impostos. Os armadores registam os seus navios em paraísos fiscais, mesmo sendo todo o centro operacional noutro país. Por exemplo o navio MSC está registado no Panamá sendo a sede da empresa na Itália. Aliás, o Panamá, não tendo qualquer tradição marítima, é o maior armador do mundo! Outro estratagema para poupar é a norma “one Ship, one companY”: para que sempre que há um problema com um navio, os outros navios do armador ficam incólumes. Foi a partir da II guerra Mundial que estas práticas se normalizaram. O piloto conclui a sua intervenção com a frase: um navio é uma sociedade quase perfeita”. Depois de estar no mar é autónomo: produz água, energia, inclui hospital, restaurante etc.
No exterior os alunos fizeram a volta de 360 graus no exterior da torre de coordenação com uma surpreendente vista sobre o Funchal e o MSC e o mar. A foto da praxe encerrou a atividade.
